Encontro Laudato Si’ Outubro de 2021

por | out 8, 2021 | Blog, Notícias e Atualizações | 0 Comentários

Intenção mensal

“Acho que Francisco é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade” (LS 10).

Por Diácono Clayton Nickel
Consultor Espiritual do Movimento Laudato Si’

Deus Vivo, tu nos chamas a ser bons guardiões desta casa terrena. Fortalece-nos para cuidar da tua criação; perdoa-nos quando, por meio da nossa ganância e indiferença, abusamos de sua beleza e prejudicamos seu potencial.

Capacita-nos, através do seu Espírito, a nutrir e amar o mundo para que toda a criação possa cantar para a tua glória, em harmonia, como tu quiseste.

Ajuda-nos neste mês de outubro e no encerramento do Tempo da Criação, na festa de São Francisco, a seguir o caminho da conversão ecológica, e faz prosperar a obra de nossas mãos pela ecologia integral e pela justiça climática para todos e para a nossa casa comum.

Que possamos ser canais da tua Paz, que ultrapassa todo o entendimento. Amém.

Oração pela conversão ecológica

Por Pe. Tim Galvin
Animador Laudato Si’ em Riwoto, Sudão do Sul

Deus Criador, agradecemos pela maravilha e beleza de tudo o que criaste. Tu nos criaste como seres humanos para sermos protetores e cuidadores da criação. No entanto, somos nós que agora estamos estragando as obras de tuas mãos.

Teu Filho Jesus Cristo ainda está sofrendo e morrendo na terra sofredora e nos pobres sofredores. Perdoa nossos pecados contra tua criação e contra os pobres do mundo.

Unimo-nos a toda a criação para te agradecer e louvar.

Te agradecemos, Deus Criador, por todas as coisas boas de que desfrutamos. Ajuda-nos a viver de forma mais simples.

Dá-nos a coragem que deste aos Apóstolos no dia de Pentecostes para proclamar e defender o cuidado da nossa casa comum e dos pobres. Amém.

Esta oração foi adaptada do próximo livro de orações do Movimento Laudato Si’. Aprenda mais sobre a história do Padre Tim Galvin aqui.

Seguindo São Francisco na esperança e na generosidade

Por Christopher Rice
Consultor Teológico do Movimento Laudato Si’

Christopher Rice é professor adjunto de Filosofia na Lynn University em Boca Raton, Flórida, EUA. Seus interesses acadêmicos incluem o bem-estar humano, ética ambiental e a Doutrina Social da Igreja.

Jesus […] disse: ‘Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus. Em verdade, em verdade vos digo: aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele’” (Marcos 10, 14-15).

“Acho que Francisco é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade” (LS 10).

Enfrentar os desafios dos nossos dias pode ser esmagador.

Da crise climática à pobreza e às várias formas de violência e discriminação, as crises que enfrentamos exigem atenção cuidadosa aos fatos – fatos frequentemente desanimadores sobre a natureza e a sociedade humana.

Algumas pessoas dizem que as soluções autênticas são impossíveis. Outros se concentram incansavelmente nos fatos, procurando traçar estratégias ou fazer concessões, ou inventar alguma solução rápida.

Nos Evangelhos, Jesus aprova uma previdência prudente, perguntando: “Quem de vós, com efeito, querendo construir uma torre, primeiro não se senta para calcular as despesas e ponderar se tem com que terminar?” (Lucas 14, 28).

Nosso trabalho para enfrentar um problema como a crise climática ou a pobreza global precisa ser realista, sintonizado com a verdadeira natureza das crises, com as comunidades em maior risco e as realidades políticas que limitam nossas iniciativas.

No entanto, o ethos alegre de São Francisco e a acolhida de Jesus às crianças apontam para outra dimensão da espiritualidade cristã, que também é necessária para enfrentar o momento atual.

Como complemento ao trabalho prático de estudar os fatos, pesar as alternativas e impulsionar as pessoas à ação, Deus nos chama a uma esperança e generosidade radicais que não estão tão imediatamente ligadas à prática.

No contexto cristão, a esperança é uma virtude teológica – resultado da graça de Deus – pela qual esperamos com confiança a promessa de Deus de realização eterna no céu.

São Francisco tinha uma perspectiva profundamente sobrenatural. Enquanto se regozijava com a beleza física, tangível e esplêndida da natureza, também apreciava isso à luz das ações redentoras de Jesus para com o mundo. Isso dava a ele uma esperança sustentada em todas as suas provações.

Da mesma forma, São Francisco estendeu a mão para o próximo com generosidade radical, respondendo com base no impulso comovente de Deus e, mais uma vez, na graça de Deus em sua vida.

Seja na saudação compassiva ao leproso, seja na sensível orientação aos seus discípulos, ele estava presente para os que o rodeavam, agindo com alegria e autenticidade cristãs. Há uma certa “atemporalidade” em São Francisco, pois ele estava profundamente enraizado no amor inabalável por seu Salvador, mais do que no medo ou cálculo das coisas mundanas.

Da mesma forma, o chamado de Jesus para “receber o reino de Deus como uma criança” aponta para a necessidade de uma esperança e generosidade radicais.

Jesus não diz aos cristãos para serem infantilmente ingênuos – para permanecerem ignorantes em relação aos fatos do mundo e como os poderosos muitas vezes exploram os fracos.

Assim mesmo, há muito o que aprender com as crianças. A confiança ilimitada em Deus que caracteriza a esperança cristã é semelhante aos laços afetivos que podem ser formados por uma criança pequena, e a generosidade imediata a que nós, como São Francisco, somos chamados, também encontra uma imagem no amor simples que as crianças podem demonstrar nos seus melhores momentos.

Como podemos combinar um engajamento sóbrio e persistente com os desafios do século 21 e a abertura de uma criança à esperança, generosidade, maravilhamento e alegria? Não é fácil.

Muitas influências nos empurram em uma direção ou na outra (ou nos afastam de ambas) e equilibrar tudo isso pode exigir o trabalho paciente de uma vida inteira. Reconhecer a importância desses dois conjuntos de valores faz parte desse trabalho. E também podemos pedir a ajuda e a graça de Deus para abraçar essas virtudes essenciais.

Perguntas para reflexão:

  1. Como Deus está me chamando para crescer neste momento – rumo a um maior envolvimento com os fatos subjacentes às nossas crises atuais e a uma esperança e generosidade maiores?
  2. De que forma posso imitar a espiritualidade de São Francisco neste mês e “receber o reino de Deus como uma criança”?

Não desperdiçar o lixo

Manizales, Caldas, Colômbia

Por María de los Ángeles Casafus Carrillo & Paola Calderon
Consultora Espiritual do Movimento Laudato Si’, Amiga do MLS na Colômbia

Quando pensamos na criação de Deus, recorremos a imagens de uma natureza viva, um ecossistema intocado difícil de encontrar hoje em dia.

Porém, quando nos entendemos como uma espécie que integra aquela natureza e nos conscientizamos de que tipo de ambiente geramos a partir da relação desequilibrada sociedade-natureza, reconhecemos a urgência de gerar transformações estruturais na forma como interagimos entre nós e com os ecossistemas que integramos.

Nossa região inclui um território com um valor universal excepcional: a paisagem cultural cafeeira da Colômbia. Ouvimos o grito da criação em várias vozes e, entre elas, a da preservação dos patrimônios naturais e culturais.

Entre os requisitos para avançar rumo ao desenvolvimento sustentável está a gestão integral dos resíduos sólidos gerados nas áreas rurais e urbanas. Em Manizales, 96,7% dos resíduos sólidos gerados são destinados a aterros sanitários e apenas 3,3% do total de resíduos recebem algum tipo de uso para sua reintegração ao ciclo produtivo.

Considerando a Meta de Desenvolvimento Sustentável nº 12 das Nações Unidas, que estabelece que o índice de reciclagem e reaproveitamento de resíduos até 2030 deve chegar a 17,9%, as autoridades locais devem tomar decisões para adotar a economia circular.

Todos nós somos chamados a contribuir para o cuidado de nossa casa comum e para o desenvolvimento sustentável das nossas regiões.

Portanto, devemos assumir a responsabilidade socioambiental a partir dos princípios de prevenção e precaução, gerenciando os aspectos e impactos socioambientais causados para que, dessa forma, a gestão do conhecimento e as necessidades e gritos da criação de Deus sejam harmonizados.

Em meio ao caos, a criação prospera

Alexandra Park, Glasgow, Escócia

Por Dra. Marie Cooke
Consultora teológica do Movimento Laudato Si’

No seio de um mundo que ainda sofre com a pandemia de COVID-19 e os efeitos devastadores da crise climática em tantas comunidades, a vida ainda continua.

A obra de criação de Deus continua em uma nova vida que surge, como estas crias com sua mãe. Te agradecemos, Senhor, pelas maravilhas de toda a tua criação.

 Minha conversão ecológica: uma história da horta

Por Dawn M. Nothwehr, OSF, Ph.D.
Consultora Teológica do Movimento Laudato Si’

Era uma noite tranquila no final de maio em Windom – a pequena em que passei minha infância, no sudoeste do estado de Minnesota. Depois de terminar de plantar nossa grande horta, sentei-me com minha mãe nos degraus da porta dos fundos de nossa casa de estuque de três quartos, bebendo uma limonada gelada.

A horta recém-plantada ficava próxima. O ar estava úmido com o cheiro da chuva que acabara de cair sobre o solo revolvido, temperado com sussurros de doçura da grama cortada havia pouco, temperado com o perfume dos altos abetos artisticamente colocados ao redor do quintal.

Em meio aos ramos rendados dos pinheiros, o céu noturno assinalava o fim iminente do dia com tons de vermelho rosado e laranja, contrastando com tons de cinza. Um coro suave e agudo de insetos nos embalou em uma meditação repousante.

Dawn M. Nothwehr, OSF, Ph.D

Em seguida, harmonizando-se espontaneamente nesse fluxo pacífico, vieram as palavras de minha mãe: “Só Deus pode fazer a horta crescer”. Aquelas palavras cheias de fé despertaram alguma coisa dentro de mim, mas meu eu de 12 anos não conseguia nomeá-la, então apenas a guardei em silêncio por muitos anos.

Na verdade, minha persona adolescente exigia algum tipo de rebelião por ser “forçada” a ajudar a capinar, cuidar da horta e colher seus frutos. Porém, secretamente, eu adorava trabalhar nela.

Fiquei profundamente impressionada com o fato de que era possível colocar aquela coisinha dura, plana e amarela no solo e semanas depois encontraria uma pequena espiga de milho doce em seu lugar! Apenas uns 30 anos depois eu conseguiria nomear o que me comoveu tão profundamente naquela noite.

Anos mais tarde, no meu jubileu de 25 anos como Irmã de São Francisco, tive o privilégio de fazer uma peregrinação a Assis, na Itália, e à região da Umbria, a “Terra Santa Franciscana” onde viveram São Francisco e Santa Clara.

Enquanto viajávamos de um lugar para outro, era impossível deixar de notar a exuberante verdura dos férteis campos de girassóis e vinhas que cobrem as colinas ondulantes. Essas vistas impressionantes, combinadas com o Cântico das Criaturas de São Francisco, reacenderam minhas muitas “experiências de horta” e o profundo sentimento de admiração e maravilhamento que experimentei naquela noite com minha mãe. 

Como eu, mas em seu tempo e lugar, São Francisco e Santa Clara conheceram bem o que eu só tinha provado naquela noite de fim de maio – os vestígios de um Deus encarnado embalando-os em amor e misericórdia no milagroso e exuberante ninho da criação!

Por cerca de 30 anos, morei em Chicago. Embora reconheça que há muitas conveniências na vida na cidade, sempre tive uma verdadeira relação de amor e ódio com aqueles ambientes. 

Tudo é enorme, impessoal, asfaltado, acelerado, construído por seres humanos, constantemente em movimento, competitivo – muitas vezes violento. Para mim, a “graça salvadora” foi o sistema de parques que fazem fronteira com o Lago Michigan.

Lá havia alguma aparência de intimidade com a teia da vida que passeava por entre as árvores, grama, flores, céu aberto; as pessoas sorriam e se cumprimentavam; e o Lago Michigan se estende até o horizonte, enquanto o ritmo das ondas toca nas areias de extensas praias, definindo o tom e o andamento de uma vida mais pacífica. 

As manifestações do sagrado ali são bem diferentes daquelas encontradas nas catedrais cavernosas que pontilham todas as esquinas da extensa metrópole. 

Sim, São Francisco estava definitivamente “no caminho certo!” Os vestígios do Deus encarnado podem ser vistos ao nosso redor – se não nos contentarmos em olhar, mas abrir os olhos para ver!

Como 5 voluntários coletaram 428 assinaturas para a petição ‘Planeta Saudável, Pessoas Saudáveis’

O Círculo Laudato Si’ da Paróquia St. Austin’s Msongari, em Nairóbi, quis dar um rosto à crise climática.

Queriam que seus irmãos paroquianos soubessem que as pessoas que se sentavam nos bancos com eles todas as semanas estão tão preocupadas com a crise climática quanto o Papa Francisco, que inspirou milhões ao escrever sua encíclica Laudato Si’.

Em um fim de semana recente, depois de seis missas, cinco voluntários do Círculo se propuseram a colher assinaturas para a petição “Planeta Saudável, Pessoas Saudáveis”. Eles tinham apenas oito minutos depois de cada missa por causa das restrições a reuniões impostas devido à pandemia de COVID-19

Ainda assim, o pequeno grupo de voluntários coletou 428 assinaturas enquanto a comunidade se unia de forma impressionante ao esforço de dizer aos líderes mundiais, durante as duas próximas cúpulas das Nações Unidas, como eles deveriam cuidar da nossa casa comum.

Assine a petição “Planeta Saudável, Pessoas Saudáveis”

“Como cultura, os africanos tendem a responder melhor quando há um rosto ligado a uma causa. Quanto mais familiar ele for, melhor será a resposta. Isso alimenta toda a cultura da comunidade”, disse Maryanne Owiti, membro do círculo que ajudou a coletar assinaturas.

“Os paroquianos demonstraram apoio entusiasmado à iniciativa e queriam muito sentir a presença [do Movimento Laudato Si’] na comunidade”.

Ela disse que o círculo optou por promover um evento presencial de assinaturas em vez do online durante o Tempo da Criação ecumênico, pois assim “uma causa global parece ser local.”

Dezenas de milhares de pessoas em todo o mundo também assinaram a petição que incentiva os líderes mundiais a da vida à Laudato Si’ através de acordos cruciais que surgirão de duas cúpulas da ONU: a 26ª Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas (COP26), a ser realizada de 31 de outubro a 12 de novembro, e a Conferência da ONU sobre a Biodiversidade (COP15), que acontecerá virtualmente de 11 a 15 de outubro e presencialmente de 25 de abril a 8 de maio 2022.

Leia mais: O que é a COP15?

A petição conclama os líderes mundiais a “agir com grande urgência” e “enfrentar a emergência climática e a crise da biodiversidade juntos”, entre seus outros pedidos prementes. Assine a petição “Planeta Saudável, Pessoas Saudáveis” hoje.

Irene Kamunge trabalha para a Autoridade Nacional de Gestão Ambiental do Quênia e foi uma das 428 pessoas que assinaram a petição na igreja de St. Austin.

“Acredito que os cristãos têm a responsabilidade de cuidar do meio ambiente, que é criação de Deus”, disse ela.

Ela considerou a petição uma “ideia muito nobre” e convidou todas as pessoas a se unirem a ela nas ações antes das duas cúpulas da ONU.

“Para acabar com a pobreza e as doenças no mundo, é inevitável que a comunidade global enfrente as mudanças climáticas, pois elas afetam a qualidade do ar, da água e da biodiversidade, e a disponibilidade de alimentos para a humanidade”, disse ela.

Eunice Omino trabalha para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e também frequenta a igreja de St. Austin’s. Ela assinou a petição logo após seu lançamento em maio, e estava orgulhosa de ver como tantos de seus irmãos e irmãs paroquianos expressaram “solidariedade ao Papa Francisco” ao assinar a petição.

“Nossos líderes não agirão a menos que enviemos um sinal claro de que queremos justiça climática”, disse ela. “Todos nós precisamos defender juntos a justiça climática.”

Mazur/catholicnews.org.uk

Quantas assinaturas você consegue colher?

O Papa Francisco está planejando participar da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada de 31 de outubro a 12 de novembro em Glasgow. Veja como podemos apoiar Sua Santidade: assinando a petição “Planeta Saudável, Pessoas Saudáveis”.

Já assinou? Faça um desafio entre amigos para ver quem consegue mais assinaturas. Agora é a nossa hora de levantar uma voz católica unida diante desta oportunidade crucial. Este momento não vai acontecer de novo, por isso devemos agir agora! Assine a petição.

Laudato Si’ Movement
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