Dezembro 2025

Guia de Oração Mensal

Para cristãos em áreas de conflito e vulnerabilidade climática

Página editorial

Que ano extraordinário vivemos juntos. Da profunda energia espiritual da Conferência Espalhando Esperança às belas celebrações que uniram nossa família global — e até mesmo além dos compromissos compartilhados na COP30 — testemunhamos como a fé pode gerar esperança e mudanças reais. Esses momentos renovaram nossas forças e nos lembraram da profunda alegria que advém de trilharmos juntos esse caminho.

Enquanto continuamos a honrar o 10º Aniversário da Laudato Si’, o 10º Aniversário do Movimento Laudato Si’ e 800 anos do Cântico das Criaturas, somos convidados a renovar nosso compromisso com o cuidado da criação, o cultivo de nossa casa comum e o aprofundamento dos laços que nos unem em todo o mundo.

Este ano, nossas intenções mensais — começando com orações pelos cristãos em áreas de conflito e vulnerabilidade climática — seguem as intenções de oração do Papa para 2025, cada uma enriquecida com uma dimensão Laudato Si’. Que essas intenções nos inspirem a agir com coragem, amar com propósito e trazer esperança à nossa casa comum — um passo de cada vez.

Ouça a canção da criação

Intenção mensal:

Para cristãos em áreas de conflito e vulnerabilidade climática

 

Citação do mês:

“Os pedidos que emergem a partir de baixo em todo o mundo, onde pessoas comprometidas dos mais diversos países se ajudam e sustentam mutualmente, podem acabar por fazer pressão sobre os fatores de poder.” LD 38

Uma oração para quando queremos desistir

Deus da esperança,

Você nos colocou nesta terra em um momento de

crise ecológica. Enfrentamos uma crise de tais proporções e

urgência, por vezes, parece que pode nos esmagar.

Às vezes nos rebelamos. Não pedimos para nascer neste mundo

agora, porém, estando vivos agora, enfrentamos o destino da humanidade.

e o planeta. Isso coloca um peso sobre nossos ombros e

sentimos o chamado para curar o Teu mundo.

 

Às vezes, enfrentamos dificuldades. Às vezes, gostaríamos que não fosse

assim, que pudéssemos simplesmente seguir com nossos afazeres. Nós

sentimos a tentação de desviar o olhar. Às vezes sentimos

que a luta é inútil – a ciência parece indicar

que não há mais esperança. Sentimos que não temos forças para continuar.

Nos sentimos esgotados.

 

Quando nos sentirmos assim, que possamos tirar um tempo e voltar

nosso olhar para Ti. Que possamos nos aproximar de Ti, querido Senhor,

e perceber que você também já esteve aqui. Você sabe o que

significa sentir-se derrotado, sem esperança e arrasado. Você

Compartilha nossas lágrimas e chora conosco pelo futuro de nossos

filhos e todas as Tuas criaturas.

 

Na cruz, também Tu clamaste em abandono: “meu

Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Em Teu clamor,

toda a criação clamou. Tu enxugaste todas nossas lágrimas.

até que transbordaram, transformando-os em infinitas

gotas de orvalho.

 

Quando tudo parecer perdido, que possamos sentir a Tua divina

misericórdia. Que sejamos gentis conosco e misericordiosos com

os outros. Que possamos encontrar forças para o caminho que temos pela frente.

Amém

Ouça o clamor da criação

Homo Terrae

Homem da terra

Irmã Mari Veronica Lee, Irmãs de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Coreia do Sul (membro do Comitê Diretivo da MLS Coreia)

Ingressei na comunidade “With Peace” em agosto de 2022 e iniciei minha jornada como agricultora iniciante. Localizada no condado de Yeoncheon, na fronteira com a Coreia do Norte, a “With Peace” surgiu com o propósito de orar e unir pela paz na península coreana. A presença de inúmeras bases militares cria um estado constante de tensão, dificultando o crescimento econômico e cultural. Os agricultores representam a maioria da população. Além disso, a recente crise climática agravou ainda mais os desafios da agricultura.
O valor central da ecologia integral — “tudo está intimamente conectado por fios invisíveis” — que tem sido um lema de vida, sinto que vem se aprofundando e se internalizando na vida da comunidade “With Peace” nos últimos anos. Aqui, a comunidade abrange não apenas as irmãs que vivem juntas, mas também nossos animais de estimação, Happy e Collie, e os animais, grandes e pequenos, que habitam os campos, arrozais e montanhas, assim como as árvores, a grama e as flores. Além disso, abrange a terra e o solo sobre os quais vivemos, o vento e o ar que sopram, a água que corre pelos vales e a luz do sol. A lua que atravessa o céu à noite e as estrelas belamente bordadas também estão conectadas a nós, formando uma comunidade. Como disse Dante, vivemos pelo “amor que move as estrelas”.
Minha conversão ecológica se aprofundou por meio da minha relação com o solo. No “Cântico da Criação”, São Francisco de Assis canta: “Louvado sejas, meu Senhor, ó irmã e mãe terra, que cuidas de nós e nos sustentas, que dás origem a todos os tipos de frutos, flores e ervas”. Ele reconhecia o solo e a terra como seres que compartilham a vida conosco, transcendendo o conceito biológico de matéria inanimada. No entanto, a primeira coisa que percebi ao chegar aqui foi que eu não conhecia o solo. Não conhecer significa não viver em relação a ele. Sem conhecimento, ignoramos e objetificamos a interconexão, vendo a natureza somente como um recurso que produz frutos para nós, humanos. Impregnar a natureza com o poder da tecnologia e seus produtos leva a ultrapassar seus limites, espremendo-a ao máximo (cf. LS 106). Esses desenvolvimentos, que se aceleraram nos últimos duzentos anos desde a industrialização, levaram à atual crise climática e à destruição dos ecossistemas. O Papa Francisco lamenta: “Esta irmã (a terra) clama agora a nós… A violência presente em nossos corações, feridos pelo pecado, reflete-se também nos sintomas de enfermidade evidentes no solo, na água, no ar e em todas as formas de vida… A natureza criada geme até agora, como em dores de parto (Romanos 8:22). Esquecemos que nós mesmos somos pó da terra (cf. Gênesis 2:7)” (LS 2).
Ao perceber que a agricultura começa com a revitalização do solo e o estabelecimento de uma relação pessoal com ele, o primeiro passo que dei foi estudar agroecologia com quatro irmãs que trabalham na mesma equipe agrícola. Esse período se tornou uma jornada de sinodalidade, compartilhando e nos solidarizando com o que precisamos fazer para garantir a sustentabilidade da agricultura. Gradualmente, mudamos a direção da nossa prática agrícola e começamos a incorporar o “design permacultural”, que conecta ecologia, agricultura e paisagem, em nossa horta e campo. O solo duro e árido, desprovido de matéria orgânica, está se transformando lentamente em um solo repleto de minhocas e insetos benéficos. Revitalizar o solo duro e degradado e restaurar um solo saudável e vivo não se trata apenas de produzir bons produtos agrícolas. Também contribui para a mitigação das mudanças climáticas, criando um solo que captura dióxido de carbono e libera oxigênio. É uma resposta criativa aos sinais dos tempos.
Katherine Dochter (1896-1985), reverenciada ao lado de Dorothy Day como pioneira da justiça social e do ativismo leigo nos Estados Unidos, administrou a Fazenda São Bento na comunidade Madonna House, no Canadá, que ela fundou. Ela foi pioneira no estabelecimento dos fundamentos da “Agricultura Apostólica”, uma base para a espiritualidade comunitária, onde as fazendas vão além da simples produção de alimentos para a comunidade e servem como instituições apostólicas. A razão pela qual associamos a palavra “apostolado” à palavra “agricultura” é porque queremos possibilitar que aqueles que testemunham nosso trabalho experimentem Deus e, por meio disso, proclamem a Boa Nova.
Contudo, a agricultura não é romântica. Uma certa quantidade de trabalho é essencial e, por vezes, até árduo. Esse trabalho implica labuta diária e a dor de pequenas mortes, mas também representa uma porta estreita para a salvação (cf. Mt 7:13). Creio que o trabalho é o processo de nos tornarmos pessoas verdadeiras, seres humanos genuínos. A palavra “humano” vem do latim “humus”, que também é a raiz da palavra “humilde”. Embora húmus seja comumente entendido como “solo”, em um sentido mais preciso, refere-se ao “húmus”, o solo formado pela decomposição de plantas. O húmus é o solo formado quando plantas e árvores se decompõem (apodrecem) pela ação de organismos do solo. O solo húmico é rico em nutrientes, dando vida às plantas e permitindo que cresçam. O trabalho diário é a dor da vida — um processo de decomposição e apodrecimento — mas também dá origem à vida. Através desse processo, tornamo-nos verdadeiramente humanos. É aí que reside o significado da paixão e morte de Jesus.
A agricultura é o amor que permeia a terra e, ao mesmo tempo, recebe o amor da Mãe Terra. A agricultura é um testemunho desse amor. Eu me identifico como a “Irmã Verde”. A “Irmã Verde” se preocupa com a justiça social e ecológica, buscando curar a Terra e criar uma nova cultura religiosa. A Irmã Verde é a “pessoa da terra”. Trabalhamos com cuidado com o solo, colhendo os frutos que ele oferece sem prejudicá-lo, e cultivamos com oração e amor derramados sobre a terra. Despertamos e respondemos ao “clamor da terra como o clamor dos pobres” (LS 49), vivendo em profunda união com os pobres que recebem o amor de Deus e com a criação. Trabalhar com a terra é uma revolução sagrada que cura a Terra e uma experiência de renovação espiritual.

Questões para reflexão

  • O húmus é um solo rico em nutrientes formado pela decomposição da matéria orgânica. Que pequenas mortes precisam acontecer dentro de mim para que eu possa crescer e dar vida a outros?
  • Como posso aprofundar meus relacionamentos pessoais com os outros e com a criação em meio aos conflitos gerados pela indiferença, pelo individualismo e pela objetificação da natureza em prol de ambições egoístas?
  • Como posso valorizar e apoiar os agricultores que trabalham arduamente para colocar comida em nossas mesas e demonstrar, de forma concreta, meu apreço pelo seu trabalho?

Hearing Creation’s Call

 Participe do Advento

Neste Advento, nos unimos como comunidade global para orar, contemplar e agir em prol da criação, preparando nossos corações para a vinda de Cristo. Cada dia oferece reflexões simples, histórias de esperança de comunidades vulneráveis ​​e pequenas ações que dão vida à fé.

Este guia de oração foi desenvolvido com o apoio de Cheryl Dugan, Marione Bacaso e Adrian Tambuyat das Filipinas, Sra. Mari Verônica Lee da Coréia do Sul, Suzana Moreira, do Brasil, e o trabalho estratégico de Susana Salguero, de El Salvador, o trabalho de design de Marco Vargas, do Equador, bem como o trabalho de outros membros da equipe de Comunicação espalhados pelas Américas e tradutores em todo o mundo.