
Unidade Pan-Africana no Espaço de Construção do Movimento África (MOM)
Quando o chamado à ação começou a ecoar por Nairóbi, uma onda de mudança surgiu no Espaço de Construção do Movimento África (MOM), um encontro dinâmico de agentes de mudança de todo o continente, que aconteceu de 19 a 21 de maio de 2025.
Realizado ao longo de três dias, o MOM reuniu lideranças religiosas, jovens organizadores, ativistas climáticos e vozes da comunidade sob o mesmo teto para vislumbrar uma África justa e libertada. Ashley Kitisya esteve presente na conferência e contribuiu para a conversa, dando voz às bases para elaborar uma estratégia ampliada do movimento.

Nos três dias do Africa Movement Building Space (MOM), foi possível testemunhar uma reunião potente e estratégica de diversos atores climáticos de todo o continente. O primeiro dia foi dedicado ao embasamento, reflexão e contextualização, abrindo com um círculo Ubuntu onde os participantes compartilharam seus nomes, raízes e o que a África significa para eles. Ashley Kitisya refletiu sobre o papel da fé para nutrir a esperança em meio ao desespero climático e enfatizou a importância de as mulheres liderarem conversas sobre justiça ecológica.
O segundo dia se concentrou na organização, elaboração de estratégias e empoderamento. Contou com momentos vivificantes como a execução do hino africano e o desfile de moda, além de diálogos profundos sobre a COP 29, o Delta do Níger, a Campanha Total e a cooperação Sul-Sul na preparação para a COP 30 e a Cúpula do G20. Ashley contribuiu ativamente em sessões de debates sobre a construção de movimentos interseccionais, oferecendo ideias e exemplos da base religiosa dos Animadores da Laudato Si’.
A conferência foi encerrada no terceiro dia com um renovado senso de clareza, unidade e energia, confirmando que este encontro não foi apenas simbólico, mas um passo crítico no fortalecimento da liderança compartilhada e amplificação da voz da África no movimento climático global.

Tratado Global de Combustíveis Fósseis por um Futuro Renovável

À medida que a crise climática se intensifica, o Quênia emerge como um líder moral e estratégico no chamado à ação global. Nos dias que antecederam o Dia Mundial do Meio Ambiente, uma poderosa coalizão de vozes — autoridades governamentais, sociedade civil, lideranças religiosas, comunidades indígenas e jovens — reuniu-se em Nairóbi para defender um Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis. Esta iniciativa global visa a eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e acelerar uma transição justa para as energias renováveis.
O Quênia, reconhecido mundialmente por sua liderança climática e pela ambiciosa meta de atingir 100% de energia renovável até 2035, está bem posicionado para assumir a liderança na defesa desse tratado, o qual se baseia em três pilares: interromper a expansão dos combustíveis fósseis, eliminar gradualmente a produção existente de forma justa (com os países ricos liderando o caminho) e facilitar uma transição global por meio da cooperação e do financiamento internacionais.
“Os combustíveis fósseis não conseguiram abastecer a África. Mais de 600 milhões de pessoas continuam sem energia e 950 milhões inalam gases tóxicos diariamente”, disse Frederik Njehu, Líder Político Global para a Partilha Justa no Greenpeace África.
Vozes vindas dos territórios ecoaram esse apelo. O líder indígena Maasai Moisés Ole Kipaliash destacou como a imprevisibilidade do clima — causada pelas emissões de combustíveis fósseis — devasta comunidades pastoris. “Apoiamos o tratado para proteger nossas terras para as futuras gerações”, disse ele. Ao apoiar o tratado, a comunidade Maasai se une a 11 nações indígenas da Amazônia no apelo por mudanças globais.
As comunidades religiosas estiveram no centro do encontro. Lideranças muçulmanas e cristãs, incluindo Hakeem Khalid, da SUPKEM e do Conselho Inter-Religioso do Quênia, reafirmaram a responsabilidade moral de se proteger a criação. Ashley Kitisya, gerente de programas do Movimento Laudato Si’ África, reforçou o papel essencial da Igreja na construção de narrativas climáticas e no avanço da liderança católica em prol da justiça ecológica.
“Apoiar o Tratado de Combustíveis Fósseis consolidaria a liderança climática do Quênia e desbloquearia financiamento e tecnologia internacionais para atingir as metas nacionais de energia renovável”, acrescentou Prince Papa, da Iniciativa do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis.
A Conferência dos Bispos Católicos do Quênia (KCCB, na sigla em inglês), os franciscanos da África e o Movimento Laudato Si’ Quênia estiveram todos presentes em solidariedade, pedindo ao Quênia que se unisse às 16 nações que já endossaram o Tratado.






