Cada história é uma gota. Juntos, nos transformamos num rio de Água Viva.

Com o passar do Tempo da Criação, a Água Viva vai nos levando mais fundo.

Nas primeiras semanas, muitas comunidades pelo mundo se reuniram em torno de rios, altares e mesas. Caminharam, rezaram, celebraram a Eucaristia e assumiram compromissos pela nossa casa comum.

Mas a água também nos pede para escutar.

O que acontece quando prestamos atenção não apenas à sua beleza, mas também à sua ausência, à sua poluição e às comunidades cujas vidas dependem dela?

Esta semana, histórias do mundo inteiro nos convidam a fazer uma nova pergunta:

O que a água está nos dizendo?

Confrontando um mundo sem água na Catalunha, Espanha

Em todas as comunidades rurais da região de Castellbell i el Vilar, Vacarisses e Castellgalí, a oração abriu espaço para um encontro mais profundo com a água.

A jornada começou em Castellbell i el Vilar, onde cerca de 40 pessoas se reuniram para orar com o bispo Dom Romà Casanova i Casanova. Imagens exibidas contrastavam sociedades de abundância com outras que sofrem com a seca, inundações, poluição e a luta diária para encontrar água.

Em dado momento, a música que tocava parou.

As pessoas ficaram simplesmente com as imagens de um mundo sem água.

O silêncio levou à ação: 10 maneiras simples de economizar água no dia a dia foram listadas, seguidas da leitura de um trecho do número 30 da Laudato Si’ lembrando que o acesso à água potável segura é um direito humano básico e universal.

Mais celebrações da Missa pelo Cuidado da Criação e orações contemplativas Laudato Si’ deram continuidade à reflexão nas comunidades rurais vizinhas.

Ouvindo a água em toda nação peruana

Em Lima, o Movimento Laudato Si’ Peru reuniu comunidades, organizações e lideranças religiosas e sociais para o seu encontro nacional do Tempo da Criação “Água Viva – Imersão em Água Viva”.

Mas Lima é apenas uma parte da história.

Ao longo do litoral, dos Andes e da Amazônia, as comunidades estão celebrando Missas pela Criação, organizando webinários e coletando Testemunhos da Água, ao mesmo tempo em que agem concretamente limpando rios e praias, reflorestando, restaurando córregos, criando jardins ecológicos, reciclando e promovendo o uso responsável da água.

Paisagens diferentes. Realidades diferentes.

A mesma água que as conecta.

A jornada dos peruanos começa com um convite marcante: escutar o que a água está dizendo em seus territórios e discernir juntos como responder.

Quando a Água Viva clama em Camarões

Às vezes, o que a água nos diz é difícil de ouvir.

No leste de Camarões, o Rio Kadey e corpos hídricos ao redor de Batouri e Kambélé estão sofrendo pressão devido às atividades de garimpo. A poluição, sedimentação e degradação ameaçam os ecossistemas aquáticos e as comunidades que dependem dessas águas para manter sua vida e sustento.

A Ir. Solange ajudou a chamar a atenção para essa realidade por meio de um vídeo de conscientização que destaca a poluição no rio e suas consequências para as comunidades vizinhas.

Seu testemunho nos lembra que celebrar a Água Viva também significa reconhecer onde a água está ferida.

Às vezes, a Água Viva não sussurra. Ela grita. E a conversão ecológica nos pede que não desviemos o olhar.

Em Ottawa, Canadá, recomeçando junto ao rio

No dia 1º de setembro, uma pequena comunidade se reuniu ao nascer do sol ao lado do Rio Rideau em Ottawa, no Canadá, para orar e renovar seu compromisso.

Não havia a necessidade de imaginar o rio: ele corria ali.

Com o nascer do sol, os membros da comunidade marcaram o início do Tempo da Criação, renovando seu compromisso de cuidar da nossa casa comum.

O momento traz uma imagem simples de conversão ecológica:

é possível recomeçar.

 

Nos EUA, a eucaristia inspira um modo de vida diferente

Comunidade na Igreja de Santo Antônio de Pádua em The Woodlands, Estado do Texas

Comunidade no convento Villa de Matel em Houston

 

No estado do Texas, EUA, duas comunidades iniciaram o Tempo da Criação em 1º de setembro reunidas em torno da mesa eucarística.

No convento Villa de Matel, em Houston, a comunidade celebrou a Missa pelo Cuidado da Criação, trazendo a gratidão pela nossa casa comum à sua oração e renovando o convite para cuidar dos dons que Deus nos confiou.

Ao norte de Houston, a comunidade de Santo Antônio de Pádua, em Woodlands, também se reuniu para uma missa pelo cuidado da criação.

A Missa pro Custodia Creationis nos lembra que o cuidado com a criação faz parte da nossa vida de fé. Mas ela também nos leva para fora. O que celebramos no altar tem o propósito de transformar a maneira como vivemos quando saímos de junto dele: como usamos a água, como consumimos, como cuidamos do nosso entorno e respondemos às necessidades dos outros.

Em Houston e The Woodlands, as comunidades estão sendo convidadas não apenas a celebrar a criação, mas também a permitir que essa celebração inspire mudanças no seu cotidiano.

 

Da contemplação à responsabilidade

No início deste Tempo da Criação, uma adoração eucarística em frente à Igreja de Santa Maria delle Grazie em San Giovanni Rotondo nos lembrou que a água, o solo e os dons da criação estão intimamente ligados ao pão e ao vinho que trazemos à mesa eucarística.

Agora o rio nos leva mais longe.

Da contemplação da água na Catalunha à sua escuta no Peru; do grito de um rio poluído em Camarões para comunidades em Houston que se reúnem em torno da eucaristia e levam o seu compromisso com a criação para a vida diária; e daí para o Rio Rideau em Ottawa, onde uma comunidade se reúne ao nascer do sol para renovar o seu compromisso com a nossa casa comum.

 

Veja a água.
Ouça a água.
Proteja a água.
Torne-se Água Viva.

Ezequiel imaginou um rio que trazia vida por onde passava.

Neste Tempo da Criação, talvez a questão não seja apenas para onde esse rio está fluindo.

Talvez devamos também perguntar:

O que a água está nos dizendo — e como responderemos?

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