O Melhor Resumo da Laudato Si’

por | out 25, 2021 | Blog, Notícias e Atualizações

O melhor resumo da Laudato Si’? Existem algumas opções.

Mas, para ser claro, a melhor maneira de compreender plenamente os ensinamentos da Laudato Si’ e do Papa Francisco não é lendo um resumo da Laudato Si’; é lendo e estudando a carta encíclica de 184 páginas. Para realmente entender as mensagens do Papa Francisco, você precisará ler a Laudato Si’ mais de uma vez.

Mas também pode ser útil ler um resumo da Laudato Si’ de vez em quando e lembrar-se de como o Papa Francisco, contando com milhares de anos de doutrina católica, nos convida a viver nossa fé cuidando de nossa casa comum.

Abaixo o Movimento Católico Global pelo Clima compilou um punhado de resumos úteis da Laudato Si que, quando colocados em prática, te ajudarão a dar vida à encíclica do Papa Francisco em sua comunidade.

Também estamos compartilhando um dos melhores resumos da Laudato Si de uma folha (frente e verso, neste caso) que já vimos. O texto abaixo é graças a Kevin Cotter do focusoncampus.org.

Resumo Laudato Si’

A encíclica do Papa Francisco, Laudato Si (“Louvado sejas”), é um chamado de atenção ao mundo inteiro para ajudar a humanidade a compreender a destruição que o ser humano está causando ao meio ambiente e a seus semelhantes.

Embora aborde o meio ambiente diretamente, o escopo do documento é mais amplo em muitos aspectos, pois examina não apenas o efeito do ser humano sobre o meio ambiente, mas também as muitas causas filosóficas, teológicas e culturais que ameaçam as relações do ser humano com a natureza e entre os seres humanos em várias circunstâncias.

Este documento é, em muitos aspectos, o epítome do Papa Francisco. É um assunto inesperado. Apresenta verdades do Evangelho. E oferece um desafio para todos os fiéis (e também para os não crentes). Desde o início, o Papa Francisco afirma o objetivo do documento: “Nesta encíclica, pretendo especialmente entrar em diálogo com todos acerca da nossa casa comum” (LS 3). Normalmente, os documentos papais são dirigidos aos bispos da Igreja ou aos fiéis leigos e leigas. Mas, semelhante à Pacem in Terris do Papa São João XXIII, o Papa Francisco dirige sua mensagem a todas as pessoas.

O objetivo do diálogo: “Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós”(LS 14). O acima exposto está no cerne do documento, mas o Papa Francisco também tem um apelo muito marcante à conversão para aqueles que estão na Igreja.

“A crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior. Entretanto temos de reconhecer também que alguns cristãos, até comprometidos e piedosos, com o pretexto do realismo pragmático frequentemente se burlam das preocupações pelo meio ambiente. Outros são passivos, não se decidem a mudar os seus hábitos e tornam-se incoerentes. Falta-lhes, pois, uma conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus. Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa.” (LS 217)

Laudato Si' summary

Foto: Religion Digital

Resumo Laudato Si’ – Resumo dos capítulos e citações

CAPÍTULO UM – O QUE ESTÁ A ACONTECER À NOSSA CASA

Objetivo: “As reflexões teológicas ou filosóficas sobre a situação da humanidade e do mundo podem soar como uma mensagem repetida e vazia, se não forem apresentadas novamente a partir dum confronto com o contexto atual no que este tem de inédito para a história da humanidade. Por isso, antes de reconhecer como a fé traz novas motivações e exigências face ao mundo de que fazemos parte, proponho que nos detenhamos brevemente a considerar o que está a acontecer à nossa casa comum.” (LS 17).

Mensagem: “Mas, contemplando o mundo, damo-nos conta de que este nível de intervenção humana, muitas vezes ao serviço da finança e do consumismo, faz com que esta terra onde vivemos se torne realmente menos rica e bela, cada vez mais limitada e cinzenta, enquanto ao mesmo tempo o desenvolvimento da tecnologia e das ofertas de consumo continua a avançar sem limites. Assim, parece que nos iludimos de poder substituir uma beleza insuprível e irrecuperável por outra criada por nós.” (LS 34).

CAPÍTULO DOIS – O EVANGELHO DA CRIAÇÃO

Objetivo: “Por que motivo incluir, neste documento dirigido a todas as pessoas de boa vontade, um capítulo referido às convicções de fé? Não ignoro que alguns, no campo da política e do pensamento, rejeitam decididamente a ideia de um Criador ou consideram-na irrelevante […] Todavia a ciência e a religião, que fornecem diferentes abordagens da realidade, podem entrar num diálogo intenso e frutuoso para ambas.” (LS 62).

Mensagem: “Não somos Deus. A terra existe antes de nós e foi-nos dada […] Se é verdade que nós, cristãos, algumas vezes interpretamos de forma incorreta as Escrituras, hoje devemos decididamente rejeitar que, do facto de ser criados à imagem de Deus e do mandato de dominar a terra, se deduza um domínio absoluto sobre as outras criaturas.

É importante ler os textos bíblicos no seu contexto, com uma justa hermenêutica, e lembrar que nos convidam a ‘cultivar e guardar’ o jardim do mundo (cf. Gn 2, 15). Enquanto ‘cultivar’ quer dizer lavrar ou trabalhar um terreno, ‘guardar’ significa proteger, cuidar, preservar, velar. Isto implica uma relação de reciprocidade responsável entre o ser humano e a natureza. Cada comunidade pode tomar da bondade da terra aquilo de que necessita para a sua sobrevivência, mas tem também o dever de a proteger e garantir a continuidade da sua fertilidade para as gerações futuras.” (LS 67)

CAPÍTULO TRÊS – A RAIZ HUMANA DA CRISE ECOLÓGICA

Objetivo: “Para nada serviria descrever os sintomas, se não reconhecêssemos a raiz humana da crise ecológica. Há um modo desordenado de conceber a vida e a ação do ser humano, que contradiz a realidade até ao ponto de a arruinar. Não poderemos deter-nos a pensar nisto mesmo? Proponho, pois, que nos concentremos no paradigma tecnocrático dominante e no lugar que ocupa nele o ser humano e a sua ação no mundo” (LS 101).

Mensagem: “Assim podemos afirmar que, na origem de muitas dificuldades do mundo atual, está principalmente a tendência, nem sempre consciente, de elaborar a metodologia e os objectivos da tecnociência segundo um paradigma de compreensão que condiciona a vida das pessoas e o funcionamento da sociedade. Os efeitos da aplicação deste modelo a toda a realidade, humana e social, constatam-se na degradação do meio ambiente, mas isto é apenas um sinal do reducionismo que afecta a vida humana e a sociedade em todas as suas dimensões. É preciso reconhecer que os produtos da técnica não são neutros, porque criam uma trama que acaba por condicionar os estilos de vida e orientam as possibilidades sociais na linha dos interesses de determinados grupos de poder.” (LS 107).

CAPÍTULO QUATRO – UMA ECOLOGIA INTEGRAL

Objetivo: “Dado que tudo está intimamente relacionado e que os problemas actuais requerem um olhar que tenha em conta todos os aspectos da crise mundial, proponho que nos detenhamos agora a reflectir sobre os diferentes elementos duma ecologia integral, que inclua claramente as dimensões humanas e sociais.” (LS 137).

Mensagem: “Mas, ao mesmo tempo, torna-se atual a necessidade imperiosa do humanismo, que faz apelo aos distintos saberes, incluindo o econômico, para uma visão mais integral e integradora. Hoje, a análise dos problemas ambientais é inseparável da análise dos contextos humanos, familiares, laborais, urbanos, e da relação de cada pessoa consigo mesma, que gera um modo específico de se relacionar com os outros e com o meio ambiente.” (LS 141).

CAPÍTULO CINCO – ALGUMAS LINHAS DE ORIENTAÇÃO E AÇÃO

Objetivo: “Procurei examinar a situação atual da humanidade, tanto nas brechas do planeta que habitamos, como nas causas mais profundamente humanas da degradação ambiental. Embora esta contemplação da realidade em si mesma já nos indique a necessidade duma mudança de rumo e sugira algumas acções, procuremos agora delinear grandes percursos de diálogo que nos ajudem a sair da espiral de autodestruição onde estamos a afundar.” (LS 163).

Mensagem: “A interdependência obriga-nos a pensar num único mundo, num projecto comum. Mas, a mesma inteligência que foi utilizada para um enorme desenvolvimento tecnológico não consegue encontrar formas eficazes de gestão internacional para resolver as graves dificuldades ambientais e sociais. Para enfrentar os problemas de fundo, que não se podem resolver com ações de países isolados, torna-se indispensável um consenso mundial.” (LS 164)

CAPÍTULO SEIS – EDUCAÇÃO E ESPIRITUALIDADE ECOLÓGICAS

Objetivo: “Muitas coisas devem reajustar o próprio rumo, mas antes de tudo é a humanidade que precisa de mudar. Falta a consciência duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos. Esta consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e estilos de vida. Surge, assim, um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração.” (LS 202).

Mensagem: “Recordemos o modelo de São Francisco de Assis, para propor uma sã relação com a criação como dimensão da conversão integral da pessoa. Isto exige também reconhecer os próprios erros, pecados, vícios ou negligências, e arrepender-se de coração, mudar a partir de dentro.” (LS 218).

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